domingo, 10 de outubro de 2010

Teremos realmente voto livre?

Vou neste primeiro esboço, tentar expor a minha posição acerca de um problema que, acho assolar a nossa sociedade dita democrática, visto de uma maneira geral pouco tem disso.
Nesta época dita como, a época da liberdade e da democracia, veja-se que como já nasci nesta época não entendo, vivencialmente, o que é uma ditadura, mas estudei e mais, dizem que na Ditadura não existe liberdade de voto, pois só existe um partido para votar e quando existem mais, as eleições são viciadas. Que não existe liberdade de imprensa, nem as pessoas têm “voto” na matéria politica, entre outras diferenças que se podem encontrar entre a democracia e a ditadura, estas pelo menos não existem, ou deveriam existir, numa democracia, que se caracteriza como um “governo por muitos”.
Mas ainda assim, nesta democracia eu consigo encontrar Ditadura, escândalos onde os políticos querem controlar e alegadamente – digo isto porque nada ficou provado – têm planos para tal, e em alguns casos conseguem-no mesmo, lembro-me agora, assim de repente, de uma declaração de um político ao telefonar para um jornal, em que o assunto, subentendido, era a possível publicação de uma notícia tal que iria prejudicar a sua imagem política e adivinhe-se como vivemos numa democracia, esta foi publicada. Engane-se se assim o quiser pois as palavras foram bem dirigidas e a noticia, essa não saiu, dizem “Olha que eu sou muito amigo dos teus investidores, não queiras que vá falar com eles” e assim fica uma noticia, democrática, democraticamente na gaveta, sem pressões nem ameaças, um jornal deixa de ter interesse numa noticia de primeira pagina. Viva a Democracia, viva a liberdade de expressão.
Troquemos então de assunto democrático…
Desde que acabou oficialmente a ditadura poucos partidos estiveram o governo, PSD e PS, na grande maioria dos mandatos, como fazem eles para após 30 anos serem ainda os mais votados e em todas as câmaras onde estão têm assento assim o conseguir manter, mesmo com gestões Ruinosas, e sem avanço nenhum quer em infra-estruturas quer em termos sociais. Será que as pessoas insatisfeitas não votam noutros que não naqueles que os deixam, constantemente, insatisfeitos? – Eu acho que não, pois como na Democracia não se falsificam contagens de votos. Faz-se de outra maneira, condiciona-se o voto “ pior que a censura feita pelos outros, contra a qual nos revoltamos, é a censura que nós nos impomos”. Como conseguiremos condicionar o voto de tal forma que votem em nós para mais um mandato? Joga-se com o aspecto social e económico e emocional das famílias. Sabemos que existe a nível nacional a falta de emprego, sabemos que existem famílias com grandes dificuldades económicas, vamos contratar pessoas com uma casa para sustentar, filhos para dar de comer, e contas para pagar, sob pena de se acabar a água para beber a luz para de noite se iluminarem e a comida no prato para comerem.
Compram-se votos, condicionam-se as pessoas a votarem X ou Y, contratam-se as pessoas que estão à primeira carenciadas, dá-se um contrato por um ano – coincidência calhar sempre a renovação do mesmo no próximo mandato – pois assim as pessoas, para continuarem a viver, votam nesse mesmo partido que está na câmara e que os contratou, agora veja-se isso a uma escala real, onde numa comunidade de 4000 ou 5000 pessoas são empregadas 400 ou 500 pessoas. Onde mais de metade dessas pessoas é funcionário público, e a grande maioria não é efectivo, ou seja depende dos que lá estão para, de uma forma ou outra, ver o seu contracto ser continuado ao invés do medo que muitas vezes circula, de os verem resolvidos. Veja-se então o tamanho da coisa. Contratamos mais gente para que se juntem aos que já dependem do “partido” da câmara para que os seus contractos continuem, assim sendo o rol de auto-condicionados é maior, para que eles tenham ainda mais temor, junte-se a mítica frase “ Olha que não sei se o próximo executivo, se for do partido oposto, te vai querer aqui…” junte-se à já magra maleabilidade económica que as pessoas têm, para que sequer possam ver como as pessoas ficam condicionadas para correr o risco de se verem, mais uma vez, no desemprego com as contas a acumularem-se.
Uma democracia, diz-se “governo por muito”, mas diga-mos eu não governo, assim como a maioria do povo não o faz, e que nesta crise económica avassaladora, consegue ver e sentir o Governo cada vez mais a aumentar a carga fiscal, a diminuir mais os salários dos funcionários públicos, que diga-se não são poucos, e a congelar as pensões dos reformados, ainda mais reduzindo comparticipações nos medicamentos, e aumentando as taxas hospitalares. São as primeiras coisas que uma Democracia diria para se fazer. Numa democracia os muitos não teria a ideia de reduzir os muitos carros… para que servem 6 carros para um ministro e 3 motoristas, é para conduzirem todos ao mesmo tempo e o ministro em qual carro vai, pois, para quê reduzir os gastos desnecessários, para que pagar casas luxuosas, com mais de 5 quartos para um só ministro dormir… não há necessidade nenhuma de reduzir esses gastos.

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