Nesta parte escrevo sobre o mais que óbvio facilitismo que se propagou e propaga pelo nosso sistema de ensino. Já acabei o ensino secundário faz tempo e naquele dia sentia o facilitismo que havia, agora cada vez mais, sobre tudo quando (mais uma vez a nova pedagogia) se diz que os professores a corrigir os testes devem aprender com os alunos, e corrigir aprendendo… desculpem lá mas o professor é para corrigir os erros e não aprender os erros e deixa-los passar sob o ensinamento sábio de que eles iram aprender por eles. Este é o primeiro aspecto que queria focar.
Quero agora dar ênfase a este pensamento sobre o facilitismo. O estatuto do aluno que veio introduzir as provas de recuperação veio para introduzir mais uma maneira de os alunos não chumbarem, pois esta forma pode contornar o aluno faltar indeterminadamente, basta que para isso passe as ditas provas, provas essas que por vezes têm de ser feitas fora dos horários dos professores que não são obviamente pagos para isso. Estas provas chegam-nos para que possamos enviar melhores números para Bruxelas a dizer que em Portugal o abandono escolar é baixíssimo quando na realidade, essa é violenta e teremos por volta de uns 15% de abandono escolar. Porque Portugal conseguiu com sucesso baixar o índice de abandono escolar e está agora a conseguir a qualificação com os cursos novas oportunidades, cursos esses que vamos abordar.
Tecnicamente já conseguimos ver que durante o ano enquanto os alunos e professores andam a fazer provas de recuperação, os primeiros não abandonaram a escola estão em recuperação (mesmo que estes já estejam a trabalhar, o que, diga-se de passagem, hoje em dia é difícil visto não haver trabalho, ou estejam simplesmente em casa a dormir). Ou seja para se não registar, não se assume cultura responsável e realista.
Sabemos já para que servem as provas de recuperação, passemos agora para outro aspecto. O programa das novas oportunidades, esse grande programa para a qualificação de pessoas que falharam as provas de recuperação e não se deram no trabalho, ou para alunos que não conseguem fazer o ensino obrigatório da forma regular, o consigam de uma forma mais facilitada. Não ponho em causa aqui as pessoas que com mais idade tentam obter uma escolaridade maior, mas essas também têm o ensino nocturno, escusam de entrar para um curso que serve para passar mais e mais gente.
Os cursos das novas oportunidades são mais uma forma de manter nas escolas mais pessoas que não conseguem passar de outra forma, facilitando ainda mais o ensino, veja-se daqui por pouco tempo já não se aprende nada na escola, apenas se passa indiscriminadamente as pessoas quer elas saibam ou não conceitos básicos, como o primeiro Rei de Portugal, ou o que é inodoro, ou incolor, acreditem há gente que está a tirar o 12º ano num curso destes sem saber isto. Não quero generalizar dizendo que todas as pessoas são assim, mas por favor se ele lá está o que difere uma pessoa que não sabe como escrever correctamente e não percebe o que lê a tirar o 12º ano de escolaridade?
Porque tecnicamente eles têm o 12º e os que tiraram no ensino regular também. Digam-me se isto não é mais uma maneira de mostrar números, já mostraram que as pessoas raramente desistem em Portugal, agora mostram que todas tiram o 12º ano, tomara…
Agora vamos à última coisa que acho que vai mal neste ensino “facilitista”, a quase ausência de exames que contem para a nota de forma relevante. Ou o facto de os alunos chegarem ao 9º ano sem exames nacionais que contem para a nota e quando os têm, são apenas a duas disciplinas, desculpem-me eles têm mais de 10 disciplinas e só dois exames? Ao fim de 9 anos?
Como é que podem avaliar o estado do ensino quando avaliam os alunos e em provas que nem contam de forma relevante, 30 por cento, para a nota?
É preciso mais exames, e exames a mais disciplinas e a contarem mais para as notas, ou seja é necessário fazer exames de forma mais frequente por exemplo no fim de cada ciclo, 4º,6º 9º 11º/12º e a mais disciplinas que as que agora se fazem, português e matemática, com excepção óbvia do 11º/ 12º ano. Deveriam também os exames contar de forma mais significativa na nota dos alunos para eles saberem que existem momentos na vida que só nos é dada aquela oportunidade, que as segundas oportunidades na vida são raríssimas, e eles nem precisam de usar a primeira podem chumbar que de qualquer das maneiras aquilo mal influenciam.
Em jeito de conclusão, não se esqueçam de que se o professor baixa 3 valores na nota de um período para o outro tem que se justificar, veja-se também que o Ministério não gosta muito que se baixem notas.
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