sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Parte I - A Indisciplina

Começo por identificar um problema que considero um dos maiores, a par com o facilitismo, que vem assolando o nosso País, a Indisciplina.
Já não é de agora, mas a indisciplinas das escolas deve-se em geral a um conjunto de políticas educacionais e politicas vindas de quem pensa que a educação é um processo no qual sem que se incuta responsabilidade e métodos de trabalho aos alunos, estes o vão aprender por si. Ou seja, vamos passando os alunos, mesmo os irresponsáveis sem método de estudo, sem saberem nada, pois eles vão aprender isso tudo por si só, tenho uma palavra para descrever utopia.
Vejamos o tamanho do problema e as suas implicações. Temos um aluno indisciplinado numa turma que constantemente importuna as aulas e desrespeita as normas de bom funcionamento das aulas. O que pode um professor fazer a esse aluno?
- Coloca-lo fora da aula é a resposta mais óbvia, isto se o aluno não souber que o professor não lhe pode tocar para o levar para fora da sala, ou até o auxiliar da acção educativa, assim sendo o aluno só sai porque quer. A não ser que o professor o agarre e o leve até fora da sala, porém essa atitude tem graves consequências, os Pais desse aluno vão dizer “ Não tem o direito de tocar no miúdo” ou seja, o professor tem contra si já uma grande panóplia de graves consequências, até talvez uma denúncia no tribunal, tudo isto porque um aluno está constantemente a importunar as aulas, onde a culpa não é sua.
O que o aluno anda aqui a fazer é o seguinte, não deixa que os outros colegas aprendam, não deixa que as aulas prossigam e que o dinheiro publico que é pago para que essas mesmas aulas não se dêem. Se for um caso isolado não é muito, mas se pensarmos nos casos que foram filmados e postos no “youtube” e outros que vieram também aos meios de comunicação social, chegamos à conclusão de que não é assim tanto. Daria muito provavelmente o tempo desperdiçado e o dinheiro também para pagar a um professor durante um ano.
Poderão no entanto dizer que os alunos suspensos não são muitos. Tenho resposta para isso também, no fim dos anos 90 e inicio dos anos 2000, os professores por cada participação disciplinar tinham de preencher 15 impressos e ouvir o Aluno incumpridor, os Encarregados de Educação, os professores envolvidos e os auxiliares envolvidos, e depois tomar a decisão, ora já não basta-se a burocracia desse tempo, entretanto diminuída ligeiramente, junta-se também o facto de as pessoas que gerem a escola, terem a sua avaliação dependente, também, do grau de disciplina – que diga-se os alunos tendo em conta os novos métodos de ensino iram aprender também por si o que a disciplina será – assim sendo os próprios directores da escolas ignoram as participações e os maus comportamentos, porque depois de suspenso o aluno a escola tem mais uma coisa para relatar ao ministério e isso não é bem visto, veja-se o exemplo que eu conheci pessoalmente o aluno após 35 (trinta e cinco) participações não havia sido suspenso.
Umas contas em jeito de conclusão: 35 participações equivale a 35 aulas interrompidas, onde o professor perde tempo, os alunos concentração e eventualmente no fim da saída continuaria a falar-se daquele facto, essas 35 aulas interrompidas se fossem todas de uma disciplina que tenha apenas 2 aulas por semana, dá qualquer coisa como 17 semanas aulas interrompidas, se cada mês tem 4 semanas mais ou menos, daria qualquer coisa como 4 meses dessa disciplina interrompida, ou seja daria muito provavelmente que os actos de indisciplina durassem mais de 4 meses se fosse só numa disciplina.
Como um simples acto de indisciplina faz com que se perca um tempo imenso, se cada interrupção tivesse o tempo médio de 5 minutos até à saída, desde a primeira desordem, veja-se 35 vezes multiplicado por 5 minutos cada, dá 175 minutos de aulas perdidos, dividindo 175 por 60 minutos dá quase 3 horas de aulas perdidas ou seja, paga-se a um professor durante 3 horas para que esse professor não faça nada se não aturar um aluno indisciplinado, e os seus colegas a perderem 3 horas de matéria.

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